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"A NIGÉRIA É UM PAÍS QUE
PODE PROPICIAR UMA PARCERIA DE LONGO PRAZO COM INVESTIDORES BRASILEIROS"
O Embaixador da Niagéria
no Brasil diz que país africano busca firmar diversas parcerias
com o Brasil.
Para o embaixador plenipotenciário da Nigéria no Brasil,
Kayoe Garrick, buscar o estreitamento das relações entre
o seu país e o Brasil está no rol de prioridades do seu
governo, sobretudo no setor de energia. Em entrevista concedida à
Revista da FCCE, durante o Seminário Bilateral de Comércio
Exterior e Investimentos Brasil-Nigéria, o diplomata disse acreditar
que as condições são mais do que favoráveis
para que esse objetivo seja alcançado. Ocupando o cargo de embaixador
no Brasil desde 2005, mas atuando na pasta de Relações Exteriores
do seu país há duas décadas, Garrick se refere às
semelhanças culturais, populacionais, geográficas e climáticas,
além do processo de saneamento econômico conduzido pelo governo
nigeriano, como os pontos necessários para que a aproximação
entre Brasil e Nigéria se dê de maneira mais consistente.Acompanhe
os trechos da entrevista.
Como o senhor avalia a importância deste seminário?
Garrick - Este seminário coroa as intenções
de maior aproximação entre os dois países. Recentemente,o
presidente do Brasil, Luis lnácio Lula da Silva, esteve na Nigéria
onde se comprometeu a firmar inúmeros acordos nos mais diversos
setores. Esses acordos vão criar um grande impacto na sociedade
nigeriana como um todo.
Qual é a sua experiência no Brasil como embaixador
nesses dois anos exercendo o cargo?
Garrick - Muito boa. Eu sempre nutri grande interesse
pelo Brasil, pois sempre percebi que temos muito em comum, sobretudo em
assuntos relacionados à cultura, desenvolvimento social, história.
Por isso, vislumbro ser de grande valia estreitar ainda mais as relações
entre os nossos países por intermédio de parcerias e cooperação.
E quais seriam essas áreas
cooperação?
Garrick - Elas são
muitas. O governo da Nigéria enviou, recentemente, técnicos
para o Brasil para aprender mais a respeito das técnicas de produção
de energias alternativas. A nossa missão técnica já
esteve na usina hidrelétrica de ltaipu e em usinas de etanol em
São Paulo. Queremos também aprender mais a respeito da produção
de energia atômica. A Nigéria é um país bastante
dependente da produção de petróleo e o nosso governo
entende que é importante diminuir essa dependência. Há
também em curso acordos no campo da agricultura. Sendo o Brasil
uma das maiores potências mundiais na área agrícola,
acredito ser muito importante estabelecer acordos de cooperação
para o desenvolvimento da agricultura em nosso país. Além
desses acordos de cooperação que eu mencionei, temos também
avançado nas discussões sobre convênios para investimentos
em infra-estrutura, no campo da educação, e na saúde,
no qual está previsto envio de medicamentos para conter o avanço
do vírus HIV.
A situação socioeconômica atual da Nigéria
é propícia para a implementação desses acordos
firmados?
Garrick- A Nigéria apresenta um grande fosso que
separa uma pequena parte da população, que é muito
rica, e a maioria muito pobre. Mas o nosso governo está implementando
políticas para minorar esses problemas. Hoje há maior acesso
à educação. Vemos também que estão
sendo criados empregos no setor de infra-estrutura e serviços.
Acredito, contudo, que o Brasil pode dar um melhor incremento, por intermédio
de parcerias entre os nossos países.
No campo do etanol, Brasil e Nigéria
firmaram um acordo que visa ao suprimento desse biocombustível
no país e também dar apoio técnico para a produção
interna. Já há algum avanço nesse sentido?
Garrick - Sim. Já temos montadas refinarias de
etanol no país, o que é, por si só, um importante
passo dado.
As refinarias estão operando, mas não na sua capacidade
máxima. Até recentemente, a Nigéria teve uma economia
marcada por uma forte presença do Estado, com as refinarias de
petróleo pertencentes ao governo. A experiência nos mostrou
que essa estrategia não era a mais eficiente. Dessa forma, decidimos
passar para o setor privado o controle das refinarias para dar maior eficiência.
Contamos com o auxilio técnico do Brasil para que possamos alcançar
esse objetivo.
É
possível criar um compromisso de cooperação entre
os empresários dos dois países?
Garrick - É o que desejamos. Na década
de 70, o Brasil era um dos principais exportadores de produtos para Nigéria.
Com o passar do tempo, contudo, vimos que isso não era uma situação
sustentável. Se os brasileiros quisessem que nós continuássemos
a comprar os seus produtos, sem desenvolver meios para a produção
local, num curto es paço de tempo, estaríamos bastante endividados
e diminuiríamos o nosso fluxo de comércio, como de verdade
aconteceu nas últimas décadas. Então, qual foi a
lição que aprendemos com isso?Trabalhar em conjunto, criar
join ventures, trabalhar em diversas áreas. Hoje, a Nigéria
é um país que pode propiciar uma parceria de longo prazo
com investidores brasileiros.
E quais são os atrativos que a Nigéria dispõe
para atrair investimentos brasileiros?
Garrick - Muito esforço tem sido feito para atrair
investimentos de vários países, inclusive de empresas brasileiras
para a Nigéria. Eu acredito que um dos principais entraves é
a falta de informação do empresariado brasileiro a respeito
das nossas reais potencialidades econômicas. No entanto, já
há algum progresso nesse sentido. Já vemos algum interesse
em saber mais sobre a Nigéria por parte do empresariado paulista,
onde a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado
de São Paulo) tem feito um ótimo trabalho no sentido de
buscar maior conhecimento sobre investimentos no meu país. Além
disso, estou muito feliz que a FCCE tenha decidido realizar esse seminário,
mesmo porque essa é a primeira vez que nós temos esse tipo
de evento na cidade do Rio de janeiro. Em breve, estaremos promovendo
eventos desse tipo em outros estados brasileiros. A Internet é
também uma ótima ferramenta para facilitar o acesso às
informações sobre a Nigéria.
E senhor acredita que o governo brasileiro pode ser um bom intermediador
no processo de integração econômica entre os dois
países?
Garrick - Sem dúvida. Para se ter idéia,
até 2005, nós ainda estávamos preocupados com os
problemas oriundos da dívida que a Nigéria contraiu do Brasil
através de um acordo e que nós estávamos com dificuldades
de honrar. No final de 2005, o governo brasileiro decidiu perdoar parte
da nossa dívida,entao conseguimos pagar o resto. Assim, novos interesses
em investir na Nigéria surgiram, depois desse episódio.
É claro que ainda não está num ritmo desejável,
mas o nosso governo está fazendo o máximo para acelerar
esse processo. Portanto, estou muito confiante quanto às melhorias
nas relações entre os nossos países.
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